Programa da Semana

#VoltaCalifa

Califa em casa de novo06/08/2013 | 14h43

Pirisca Grecco faz três shows no palco original da Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana

Nas apresentações, serão relembradas canções históricas desde a primeira edição, em 1971

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O músico Pirisca GreccoFoto: Eduardo Rocha / Divulgação

Daniel Feix

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Volta, Califa. É o que vai ecoar, ao longo de três noites seguidas, no Teatro Rosalina Pandolfo Lisboa, o local do antigo (e histórico) Cine Pampa, em Uruguaiana.

>> OPINE: Quais as músicas inesquecíveis da Califórnia da Canção Nativa?

Foi lá que a Califórnia da Canção Nativa se consagradou não apenas como principal evento musical do Rio Grande do Sul, mas como verdadeiro definidor dos caminhos da música regionalista. Cambaleante, a "Califa" enfrentou dificuldades com a decadência dos festivais do gênero, tão afamados nos idos de 1970 e 80. Inicialmente realizada uma vez por ano, mudou de palco (foi para um ginásio, depois para o Parque Agrícola e Pastoril) e, na virada do milênio, passou a ser bienal. Em 2010, após a etapa classificatória da 37ª edição, a crise financeira derrubou o gigante da música local, e a grande final foi cancelada.

Reorganizado e com novo modelo de financiamento, com R$ 240 mil aprovados para captação via Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS), o festival voltará no fim do ano – para ocupar, novamente, o seu palco original. Além disso, terá o retorno de um de seus idealizadores, Colmar Duarte, à linha de frente da organização, sempre a cargo do CTG Sinuelo do Pago.

— Mas é preciso, também — diz o músico uruguaianense Pirisca Grecco — despertar na gurizada que não viveu os tempos de ouro do evento a consciência do significado que a Califórnia tem. Quando eu era mais jovem, as músicas da Califórnia pertenciam ao imaginário da minha geração, tanto quanto qualquer clássico nacional. Esse sentimento não pode arrefecer.

Foi por isso que Pirisca organizou as três noites citadas na abertura deste texto. Quarta, quinta e sexta-feira, o músico e sua banda La Cumparsa Elétrica vão apresentar#VoltaCalifa – 40 Anos da Califórnia Bem Cantados, no Teatro Rosalina Lisboa. Os três shows vão relembrar canções históricas do festival desde a sua primeira edição, em 1971. Eles e diversos convidados, incluindo campeões da Califa como Mauro Moraes, Silvio Genro e Vinicius Brum.

— Chamei vencedores do evento e parceiros dispostos a lutar pelo seu futuro — afirma Pirisca, que já venceu o festival em três oportunidades. – Podíamos ir para a rua, bater panelas, fechar a ponte (que liga Uruguaiana a Passo de los Libres, na Argentina), mas a nossa forma de lutar é fazendo música.

Érlon Péricles cantará canções de Telmo de Lima Freitas, Luiz Carlos Borges e Elton Saldanha. Victor Hugo será a voz de Semeadura. Júlio e Cecília Machado, intérpretes vencedores da primeira edição, devem cantar Guri, entre várias outras. A volta a 1971 se completará com a presença de Os Angüeras, grupo que subiu no palco do Cine Pampa, àquele ano, para dar início aos trabalhos com Andarengo, que ficaria registrada como a primeira música da história da Califórnia.

É olhando para o passado que se vai – incorporando uma expressão usada pelo próprio Pirisca – atiçar a brasa do futuro.

#VoltaCalifa7, 8 e 9 de agosto
Local: Teatro Rosalina Pandolfo Lisboa (15 de Novembro, 1.844 ), em Uruguaiana
Horário: 20h

Ingressos
Cada dia: R$ 10

Pontos de venda
– Empório 15 (Dr. Maia, 2.582)
– Mistura Fina (Prado Lima, 2.888)
– Café da Praça (Praça Barão do Rio Branco, s/nº)

Mercado de terneiros RS, Outono 2013

Por Fernando Furtado Velloso em 10 de junho de 2013

Mercado atraente para os criadores de curto prazo
Produtores que adquirem animais para engorda e venda rápida ajudaram a esquentar os remates de outono
As tradicionais batidas de martelo após o dou-lhe uma, dou-lhe duas e dou-lhe três foram estimuladas nesta temporada por um novo perfil de comprador: aquele que investe em terneiros no outono e os revende na primavera, período em que integra as áreas de pastagens com as lavouras de grãos. A prática, que coincide com a entressafra das culturas de verão, ganha força porque une a lucratividade na pecuária com o preparo do solo para o cultivo de grãos.

– Esse é o criador de quatro meses, que compra o terneiro agora e o engorda até setembro, quando vende os animais pelo dobro do preço somente pelo aumento de peso – explica o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Francisco Schardong.

A atividade reforça a tendência da integração entre lavoura e pecuária e reduz os custos: o produtor prepara o animal e outro finaliza para abate.

– É uma alternativa interessante. O produtor opera como recriador e não como terminador – explica Fernando Furtado Velloso, médico veterinário e consultor da Assessoria Agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha.

Produtor de soja há 15 anos em Santa Margarida do Sul, região central do Estado, Nemo de Souza, cultivou 600 hectares do grão no verão. Com a área limpa após a colheita, plantou o azevém, que servirá de pastagens para os terneiros que comprou nesta temporada. Desde que aderiu à rotação entre lavoura e pecuária, Souza costuma adquirir cerca de 800 animais por ano.

– Em um hectare, eu posso colocar uma vaca adulta para abate e ganhar 80 quilos por animal. No lugar dessa vaca, eu consigo colocar dois terneiros e meio, ganhando cem quilos em cada. Tenho lucro maior, e liquidez também – afirma o produtor.

Nesta temporada, Souza arrematou 200 terneiros nas feiras oficiais de outono. A compra menor foi estratégica para tentar obter preços melhores fora do período.

– Os remates acabam inflacionando um pouco o preço do terneiro. Tem muita gente comprando com financiamento e isso acaba aumentando os valores. A ideia ainda é comprar mais 500 terneiros – explica.

Além do lucro que terá com os animais, o produtor também terá ganhos na lavoura, já que a gramínea protege e aduba o solo para o cultivo de grãos na safra de verão.

OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS
Programe-se para os próximos leilões no interior do Estado
JUNHO
– 4 a 13 – Feira da Reposição, em Manoel Viana
– 7 e 8 – Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas, em São José do Ouro
– 11 a 15 – Feira de Vaquilhonas, em São Borja
– 12 – Feira dos Selecionados, em Rosário do Sul
– 15 a 22 – Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas de Inverno, em São Francisco de Assis
– 20 a 30 – Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas, em São Pedro do Sul
– 28 – Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas, em Rio Pardo
JULHO
– 3 – Remate de Novilhas selecionadas do Pampa Gaúcho, em São Gabriel
– 10 – Feira de Reposição, em Rosário do Sul
– 12 e 13 – Feira de Reposição de Terneiros e Ventres Selecionados, em São José do Ouro

Fonte: Calendário oficial de exposições e feiras da Secretaria Estadual da Agricultura

Angus para a recria
Com a estimativa de que 60 mil terneiros tenham sido vendidos neste outono, em feiras oficiais, pecuaristas gaúchos já teriam comercializado cerca de 5 mil animais a mais do que na temporada passada. A alta foi possível graças a negócios feitos por pecuaristas como José Luiz Marques, 55 anos.

Com 600 cabeças de gado geral, Marques resolveu qualificar o rebanho ao investir em novilhas da raça angus. Maior comprador da feira de terneiros da Farsul, realizada em Esteio no mês passado, o criador arrematou 65 animais por R$ 82 mil. Por um dos lotes, com 16 novilhas prenhas, o de maior valor na feira, chegou a pagar R$ 4,46 pelo quilo vivo.

– A qualidade da raça é muito valorizada no mercado. Nesses casos, vale a pena investir mais. Com as prenhes terei retorno rápido, sem fazer a reprodução – explica Marques, com fazenda em São Francisco de Paula.

Os animais serão criados em campo nativo, onde a pastagem é feita com aveia, azevém e resteva de milho. Ao lado do filho Jonas, 26 anos, o produtor quer aumentar o rebanho com uma raça mais nobre e maior valor de mercado. Com 65 animais comprados, com média de dois anos e meio, fará recria com touros.

– Depois de fazer a recria planejada, esse gado irá para abate, em cinco ou seis anos – conta o pecuarista.

Na próxima temporada de outono, Marques deve vender os terneiros das novilhas prenhas compradas agora.

– Com a venda desses animais, já começarei a ter o retorno do dinheiro investido – disse o criador, que financiou a compra em três anos.

A qualidade dos animais, desde raça, peso, idade e padronização dos lotes, levantou a média das feiras. Foi o caso do remate realizado em abril em Santa Vitória do Palmar, onde a média alcançou R$ 5 pelo quilo vivo de machos e fêmeas.

Bons preços, mas abaixo do esperado
Ainda sem números finais sobre os negócios de outono, o Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Rio Grande do Sul (Sindiler) estima que a média não passe de R$ 4,20 pelo quilo vivo. Embora seja superior ao registrado no ano passado – R$ 4,06 – o valor ficou um pouco abaixo do projetado inicialmente.

A grande procura por terneiros antes do período oficial de remates é um dos principais motivos apontados para justificar o desempenho aquém do esperado.

– Mesmo antes de iniciar os leilões a procura era enorme (em março). Julgávamos que com financiamentos e a maior organização dos remates o valor médio chegaria a R$ 4,50 – explica o presidente do Sindiler, Jarbas Knorr.

Somam-se a isso o atraso nas pastagens em razão de novas áreas de soja e a estabilidade do preço do gado gordo, usado como referência na cotação dos terneiros. Apesar da expectativa frustrada, a remuneração obtida neste ano está longe de decepcionar os produtores.

– Como o quilo do boi gordo está em torno de R$ 3,30, os atuais R$ 4 pagos por quilo dos terneiros são um valor bastante razoável – explica o consultor Fernando Furtado Velloso, da Assessoria Agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha.

Em Lavras do Sul, região representativa na temporada, os negócios cresceram 12%, passando de 5,7 milhões em 2012 para 6,38 milhões em 2013, com a comercialização de 7 mil animais em quatro remates.

O preço do terneiro é calculado conforme a cotação do boi gordo no mercado. Em períodos de feira, o quilo do terneiro é vendido em torno de 20% a 25% a mais do que o boi gordo.

Fonte: Zero Hora (07 junho 2013)
joana.colussi@zerohora.com.br vagner.benites@zerohora.com.br
JOANA COLUSSI E VAGNER BENITES

http://www.assessoriaagropecuaria.com.br/index.php?secao=conteudo&mostraconteudo=415&tipo=1

Os senhores da Guerra – A batalha chegou a Caçapava do Sul

Filme Os senhores da Guerra rodou cenas do Forte Dom Pedro 2º e no Vale dos Lanceiros

Marilice Daronco | marilice.daronco

O filme Os Senhores da Guerra se despediu da região central do Estado neste sábado, com gravações no Forte Dom Pedro 2º e no Vale dos Lanceiros. Lá, foi representada a viagem de Carlos Bernardino Bozano (Rafael Arteche), um dos protagonistas, e seu mentor, o major Ramón Diaz (Leonardo Machado), entre Ijuí e Santo Ângelo feita em 1924. A cena faz parte da segunda parte do filme: O Passo da Cruz.

>> Confira imagens das gravações em galeria de fotos

As cenas eram de diálogo e de cavalgada dos dois personagens ao redor do forte. Uma grua foi usada para captar imagens no local. Não houve figurantes.
_ Achei muito importante ter um lugar aqui da nossa cidade aparecendo no filme. E, melhor ainda, poder assistir às gravações de camarote. Acho que isso vai valorizar a nossa cidade _ comemorou a aposentada Nely Dornelles, 55 anos, que mora a poucos metros do forte e assistiu às gravações da janela de casa, com o neto, João Vitor Schirmer, 6 anos.

Os Senhores da Guerra vai mostrar a história dos irmãos Bozano. O intendente de Santa Maria (cargo que corresponde ao de prefeito) Júlio Raphael de Aragão Bozano (Rafael Cardoso), chimango, defensor de Borges de Medeiros, e Carlos Bernardino, um maragato que queria mudanças no governo. Os dois irmãos estiveram em lados opostos dos campos de batalha.
_ Ao longo da história, os dois irmãos vão seguindo caminhos opostos. O filme começa com o Júlio como uma alta figura militar, ganhando a batalha, enquanto o Carlos leva um tiro e quase morre. Na segunda parte, é o Carlos quem tem destaque. As histórias vão se invertendo e quem acaba sendo vítima de uma conspiração é o Júlio _ conta Arteche.

Santa Maria serviu de cenário na primeira parte do filme, O Passo das Carretas, em maio de 2011. chimangos e maragatos se enfrentaram na areia do Passo do Verde, em cenas que envolveram cem figurantes e aproximadamente o mesmo número de cavalos.

Estão marcadas para esta quarta-feira as gravações das últimas cenas da produção. Elas devem ser rodadas em uma fazenda em Barra do Ribeiro, na região sul do Estado. O filme já está em grande parte pré-editado e será dividido em duas partes de uma hora e meia cada e que podem chegar ao cinema juntas ou separadamente. O filme, baseado no livro homônimo do autor caçapavano José Antônio Severo, também está adaptado para a TV, podendo ser exibido como uma série em seis capítulos. A previsão é que as duas partes da obra estejam prontas no final de setembro.

Fonte: Diário de Santa Maria

Erva Buena

Sancionada lei que cria free shops nas áreas de fronteiras

Sancionada lei que cria free shops nas áreas de fronteiras
Dez cidades gaúchas poderão ter lojas livres de impostos
A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que autoriza a instalação de lojas francas (free shops) em municípios caracterizados como cidades gêmeas de localidades estrangeiras na linha de fronteira do Brasil. A Lei 12.723 foi publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União (DOU) e altera o decreto-lei 1.455, de 7 de abril de 1976, que dispõe sobre bagagem de passageiro procedente do exterior, disciplina o regime de entreposto aduaneiro, estabelece normas sobre mercadorias estrangeiras apreendidas e dá outras providências.

A lei foi sancionada com um veto ao artigo 2º do projeto de lei aprovado pelo Senado Federal. Segundo as razões do veto, também publicada nesta quarta-feira no DOU, o artigo 2º acrescentava um parágrafo ao artigo 34 do decreto-lei, determinando que a prática dolosa de promoção de importação ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente seria caracterizada como crime, punível com detenção de um a três meses ou multa.

Esse ponto da lei foi vetado, esclarece o texto, porque “ao instituir novo tipo penal mediante simples remissão a dispositivo que estabelece infração disciplinar, fez-se uso de técnica legislativa inadequada, uma vez que a tipificação criminal deve buscar parâmetros mais estreitos que os empregados para as infrações administrativas”. Acrescenta ainda que “já há previsão legal apropriada para sancionar infrações a normas tributárias”.

Dez cidades gaúchas com free shops

Das 28 cidades escolhidas para abrigar free shops, 10 estarão em território gaúcho. Essas cidades são separadas por uma rua ou um rio.

Investidores estrangeiros já estão de olho neste mercado.
Recentemente, uma delegação formada por empresários de Dubai, nos Emirados Árabes, esteve em Livramento para conhecer o potencial da fronteira e acertar futuras parcerias visando à instalação de um complexo similar aos existentes nas 150 lojas mantidas pelo grupo em sistema de free shop e duty free. Os empreendimentos do grupo estão presentes em 24 países. Eles já conversaram com autoridades de Livramento.

Fonte: Correio do Povo

Gaúchos habitam território de disputa entre Brasil e Uruguai

Terras inóspitas e belas são reivindicadas há mais de cem anos pelos dois países Humberto Trezzi
humberto.trezzi@zerohora.com.br

Quem se dispõe a um passeio virtual pelo Google Earth ou Google Maps ao longo da fronteira Brasil-Uruguai depara, nas proximidades de Santana do Livramento, com uma linha pontilhada no mapa, em forma de triângulo invertido. É território brasileiro? Não, dizem os uruguaios. É território uruguaio? Negativo, rebatem os brasileiros que ali residem. Aquele recanto perdido do Cone Sul da América é zona de disputa secular entre os dois países. É área de conflito,
caracterizada nos mapas da mesma forma que a Faixa de Gaza, território palestino encravado em região reivindicada por Israel.

No caso da fronteira Uruguai-Brasil, a área em disputa está distante dezenas de quilômetros da cidade mais próxima. Pudera, é vergastada de forma inclemente pelo Pampeiro, vento sudoeste, que torna a região quase inabitável – lar de muitas ovelhas e povoada por escassos seres humanos. São os gaúchos dos dois países, dotados de necessária fibra para enfrentar a natureza.

A linha geográfica imaginária abrange, de um lado, a vila uruguaia de Masoller. Ela é sinônimo de civilização modelo século 21: conta com três antenas de telefonia celular, lan-house com acesso à internet, telefonia fixa, clínica de saúde (com médico algumas vezes por semana) e estrada conectada à capital provincial, Rivera, por uma estrada asfaltada de qualidade, a mesma que leva a Montevidéu.

Basta caminhar alguns passos e atravessar a imaginária linha fronteiriça para o sujeito ingressar na brasileira Vila Albornoz. É como um mergulho no túnel do tempo até o século 19.A vila está ligada à matriz do município, Santana do Livramento, por 74 quilômetros de estradas pedregosas, esburacadas e que parecem trilhas de boi.

Ela não conta com sinal de celular (pelo menos, não o brasileiro), nem com lugar para acesso à internet. Tampouco dispõe de médico, posto de saúde ou guarnição policial. Proliferam no lado brasileiro, em contrapartida, vaqueiros a cavalo e fazendeiros em possantes caminhonetes.

Não que faça muita diferença. Além de se conhecer pelo nome, uruguaios e brasileiros das duas localidades partilham dos serviços por ali. Brasileiros compram e usam celulares uruguaios, caminhonetes uruguaias – que, pelo imposto reduzido, custam bem menos do preço cobrado no Brasil – e serviços de saúde daquele país.

Na falta de delegacia ou mesmo de um simples posto da BM, os brasileiros registram queixas criminais na Comissaria de Policia uruguaia. Uma providência prática, já que, a exemplo dos cidadãos de bem, os ladrões da região também são doble chapa: atuam nos dois lados da fronteira e, por vezes, têm documentos de ambos os países, por serem filhos de brasileiros com uruguaias e vice-versa.

— Já no lado brasileiro, se o sujeito morrer, tem de levar de contrabando para Livramento, por meio do asfalto no Uruguai. É que a estrada é tão ruim que o defunto estraga no caminho, se for pelo lado brasileiro — reclama o tropeiro Sílvio Paulo dos Santos, morador de Vila Albornoz.

Escola brasileira como alternativa

Uruguaios fazem compras no mercado do lado brasileiro, que é maior. Adquirem ovelhas em território gaúcho e, quando escasseiam vagas nas escolas do Uruguai, matriculam os filhos no grupo escolar de Ensino Fundamental Vila Albornoz.

— Sempre cabe mais um aqui, são só 16 alunos — explica a professora Marta Quevedo, que mora num alojamento dentro da própria escola e, aos finais de semana, revê a família em Santana do Livramento.

Muitos estudantes chegam a cavalo para as aulas, que têm horário especial: das 10h às 14h30min. É que, no inverno, é difícil para as crianças a locomoção. Do lado brasileiro,é raro passar carro nas estradas esburacadas, e acordar cedo, nos campos batidos pelo vento minuano e queimados pela geada,mais complicado ainda.

Se as necessidades de uma fronteira forjada em natureza hostil irmanaram brasileiros e uruguaios, alguns sinais mostram que, no fundo, a rivalidade persiste. A escrivã uruguaia Míriam Cuello Saravia, que trabalha num dos três juzgados (juizados) existentes em Masoller, diz que não se importa em atender a pedidos de naturalização por parte de brasileiros ou de casamentos no civil. Ela própria tem um filho e um neto brasileiros. Porém, quando apontam paraVila Albornoz como território brasileiro,dispara:

— Brasileiro, não.Território contestado, amigo, contestado…

Em frente ao juizado, do outro lado da rua, uma cisterna exibe letreiros que soam como aviso:

— Exército Brasileiro. Braço forte, mão amiga.

A vida em dois países

A confusa e amistosa relação entre os fronteiriços pode ser constatada no cotidiano do estancieiro Fábio Cabral. Brasileiro, ele próprio carrega na vida pessoal um pouco da história de Vila Albornoz: é casado com Ana Paula, filha de uma das fundadoras da vila,a fazendeira Regina Helena Albornoz, da família que doou terras privadas para fincar na fronteira com o Uruguai um vilarejo capaz de assegurar que, sim,aquilo lá é parte do Brasil.

Cabral circula numa caminhonete Hilux comprada por R$ 55 mil no Uruguai. Fosse no Brasil, teria pago R$ 85 mil. Em compensação, compra ração e vacina, mais baratas, num supermercado brasileiro. Arrozeiro, escoa a produção pelo território uruguaio,via asfalto.

— No lado brasileiro, onde administro a fazenda, levo 30 minutos para fazer seis quilômetros em função dos buracos da estrada — justifica.

Ele assinala que o posto de combustíveis em Vila Albornoz fechou, por falta de clientela. Pegar a estrada no lado brasileiro e ir até Santana de Livramento significa enfrentar uma jornada de três horas, capaz de quebrar a suspensão do veículo. Outra dificuldade é a comunicação, já que o telefone não pega, nessa área de sombras entre Vila Albornoz e a matriz, Livramento. A saída é usar telefone por satélite nas estâncias.

— Mas não troco isso aqui por nada. Apesar das dificuldades,é Brasil, o meu país — diz Cabral.
ZERO HORA

Inscrições Abertas para a 20ª Tertúlia Nativista e 1ª Tertulinha

Estão abertas as inscrições para a 20ª Tertúlia Nativista de Santa Maria, festival que está previsto para os dias 30 de novembro, 01 e 02 de dezembro. Nesta 20ª edição o festival vem com uma novidade a 1ª Tertulinha que vai acontecer no dia 29 a tarde, no mesmo local da Tertúlia no Lago da Gare.

As inscrições para a 20ª Tertúlia esão abertas até o dia 19 de outubro enquanto as da 1ª Tertulinha vão somente até o dia 12 de outubro.

Mais informações pelo fone (55) 3921.7216 ou pelo e-mail tertuliasm@gmail.com

Fonte:
Clarissa Moura
bahstidores@yahoo.com.br

Músicas Classificadas XXII Vigília do Canto Gaúcho

Com mais de 400 músicas inscritas encerrou, na manhã desta
terça-feira, a triagem da XXII Vigília do Canto Gaúcho. O festival está previsto para os dias 26 e 27 de outubro.

O corpo de jurados é formado por José Renato Daudt, Jairo “Lambari” Fernandes, Nelcy Vargas, Sabani Felipe de Souza e Paulo Saavedra.

Classificados na Etapa Estadual

01 – Flor do manantial – Milonga
Letra: Edilberto Teixeira (in memorian)
Música: Juliano Moreno

02 – Pitanga – Milonga
Letra: Filipe Corso e Rafael Ferreira
Música: Vitor Amorim

03 – O adeus do anguera – Zamba
Letra: Cristiano Rauber, Nelmo Beck e Pedro Bica
Música: Glademir Escobar

04 – Depois do lombo do pingo – Milonga
Letra: Osmar Proença
Música: André Teixeira

05 – Picaneando o coração – Toada
Letra: Alex Silveira
Música: Carlos Madruga

06 – Romanceiro – Milonga
Letra: Gujo Teixeira
Música: Luciano Maia

07 – Da doma antiga – Chamarrita
Letra e Música: Cláudio Silveira

08 – Milonga de um cavalo só – Milonga
Letra: Cauê Machado e Otávio Severo
Música: Otávio Severo

09 – Para cruzar na tua morada – Milonga
Letra e Música: Igor Silveira

10 – Do jeito de um trançador – Chamamé
Letra: Volmar Camargo
Música: Marcelinho Carvalho

Classificados na Etapa Municipal

01 – Milonga de campo – Milonga
Letra: Júlio Rodrigues
Música: Marco Lima

02 – Nas esquilas da lagoa – Xote
Letra: Gujo Teixeira
Música: Marcelo Paz Carvalho

03 – A saudade é posteira – Milonga
Letra: Cleiton Evandro dos Santos
Música: Jader Duarte

04 – Santo de casa – Milonga
Letra: Mateus Neves da Fontoura
Música: Rodrigo Duarte

Fonte:
Clarissa Moura
bahstidores@yahoo.com.br

Semana Farroupilha – Setembro de 2012

Amigos,
que o dia 20 de setembro mexa com o brio dos gaúchos para que se revoltem contra a diminuição da qualidade na saúde, infraestrutura, educação e o aumento da insegurança, entre outros, como fizeram os farroupilhas contra os imperiais em 35. Que o orgulho floresça na retomada de um estado próspero que a muito deixou de ser referencia, iludido pelo próprio patriotismo, que acomodou uma nação que se considerara “a melhor”.
A Revolução Farroupilha deve servir de exemplo para um sentimento renovado na retomada da prosperidade e da qualidade de vida do povo gaúcho. A peleia de outrora é o trabalho de hoje e a cobrança das autoridades governantes. Se o Rio Grande acordar para essa nova realidade, ninguém segura essa província pátria pampa tão amada.

Setembro de 2012
Leonel Furtado

Ginete monta em cavalo xucro para relembrar força da mulher gaúcha

Erlita Mendes percorre o Estado conquistando espaço e premiações em ambiente tradicionalmente masculino

Erlita Mendes, 27 anos, é uma das poucas mulheres no Estado que participa deste tipo de prova
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBSBruna Scirea
bruna.scirea@zerohora.com.br

Entre homens jovens e adultos, campeões e amadores, Erlita Mendes destaca-se pela garra sobre o cavalo xucro. De madeixas a balançar com o pinote do animal, a caxiense não entra na cancha de rodeio para demonstrar força ou coragem.

De tento em mãos, a ginete arrisca-se, desde os 18 anos, pelo resgate de uma história – que, para ela, tem linhas mal contadas.

— Muito se fala sobre os homens, os heróis que lutaram por nossa terra. Subo no cavalo para representar nossas avós, bisavós e tataravós que domavam animais e cuidavam dos filhos nas estâncias. Quero lembrar que a força feminina também esteve presente na história gaúcha — justifica.

Para isso, Erlita percorre o Estado conquistando espaço e premiações em um ambiente tradicionalmente masculino. Uma das únicas mulheres ginetes, aos 27 anos, contabiliza a participação em mais de 30 provas de rodeio – em uma delas, apoderou-se do oitavo lugar em um ranking que incluía 50 homens – e já abriu mais de 150 eventos com
apresentações sobre lombo do cavalo.

Dos tombos, a ginete recorda de apenas um. Foi quando o cavalo caiu sobre ela quebrando-lhe o braço. Nada grave, afirma. E é com a mesma confiança que responde quando lhe perguntam se sente medo.

— É um sentimento que não tenho dentro de mim. O que sinto é uma gana de mostrar, da melhor maneira, o que vim para fazer: lembrar da garra do povo gaúcho, de homens e de mulheres — explica.

E se o namorado Paulo Schmidt reclamar, preocupado com as possíveis quedas e machucados, Erlita deixa bem claro:

— Ele sabe o que acontece se eu tiver que escolher entre ele e a gineteada.

Por enquanto, nada faz Erlita pendurar as esporas

Não é o namorado. Também não serão a faculdade de Agronomia, nem a loja de agropecuária que administra em Caxias do Sul, motivos para pendurar as esporas. E, se algum dia isso acontecer, pretende ter repassado tudo o que aprendeu para a próxima geração de sua família. A sobrinha Luíza Gabriela, dois anos, já se mostra como uma forte candidata a aprender um grande segredo de campeã:

— Alguns chamam a gineteada como uma peleia entre o homem e o cavalo. Eu penso diferente. Antes de montar, me aproximo do animal e faço uma oração. Rezo para que Deus nos abençoe e que sejamos uma dupla, não adversários. É uma questão de cumplicidade.

ZERO HORA

Septiembre 2012 – Estância Don Silvano – Argentina

Iníciou o mês farroupilha do Linha Campeira, bem no estilo da Fronteira. Visita a Estância Don Silvano, perto de Buenos Aires – Argentina. O João Vicente com 9 meses larga a boca na sua primeira Semana Farroupilha. Obrigado aos anfitriões, Leonardo e Milena Furtado

“O Sobrado” lembra 50 anos da obra O Tempo e o Vento

Espetáculo será exibido às 19h30min em Porto Alegre

O clássico da literatura gaúcha “O Tempo e o Vento”, de Erico Verissimo, completa 50 anos desde o lançamento do último volume da trilogia, “O Arquipélago”, em 1962. Em celebração à data, o Sistema Fecomércio-RS/ Sesc e a Associação Ligia Averbuck promovem o projeto “Erico Verissimo – 50 anos de O Tempo e O Vento.”

O projeto será lançado nesta quarta-feira, às 19h30min, no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/n), em Porto Alegre. Será exibido o espetáculo “O Sobrado”, do grupo Cerco, com doação de livros para alunos da rede pública de ensino, buscando difundir a obra do autor ´O Sobrado´ tem exibição especial no Theatro São Pedro
Crédito: Felipe Ramalho / Divulgação / CP
Fonte: Correio do Povo

Começa chegada de animais para a Expointer

Os animais que participarão da Expointer começaram a entrar nesta manhã no Parque Assis Brasil, em Esteio. Desde a noite passada, caminhões chegam do interior do Estado. Os primeiros foram 28 ovinos de um consórcio de quatro cabanhas. Os animais das raças texel, ideal e corriedale vieram de Bossoroca, Uruguaiana e Barra do Quaraí.

Ao chegarem ao parque, os animais passam por uma inspeção sanitária antes de serem acomodados nos pavilhões. A Secretaria da Agricultura disponibilizou 138 profissionais entre técnicos e veterinários para realizar o trabalho. A feira tem quase oito mil animais inscritos. A Expointer abre os portões ao público no próximo sábado.

Tipa Jr. / Zero Hora
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itérios de escolha da Primeira Prenda

Chê loco, tu acompanhou a mudança dos critérios pra escolha da Primeira Prenda Gaúcha?

Chê, esse é um concurso tradicional louco de especial aqui no Rio Grande, onde um juri escolhe, com base em um monte de critérios, qual aquela que é a soberana nos Galpões de todo o Estado.

Uma cambada de gente já opinou sobre o assunto, tem um bando contra e outro a favor das mudanças.

Chê, mas quem vai gostar desta novidade, caso seja aprovada, é a Sílvia Helena, minha patroa.

Ela sempre quis participar dos concursos de Primeira Prenda, mas sempre teve um problema de gordura localizada. É localizada no corpo todo.

Acontece que ela é muito desprovida de beleza. É verdade! Tipo assim, fizeram um rascunho e não arte-finalizaram, sabes?

Mas mesmo assim gosto muito dela, pois ela me ajuda a resolver todos os problemas que eu não tinha antes de conhecê-la.

A Sílvia Helena até tentou participar de um concurso de Primeira Prenda há tempos atrás. Ela se preparou e fez até uma dieta – em 10 dias, perdeu 240 horas!

Chê, se tu tá curioso ou quer mais informações sobre o causo, te gruda nessa matéria da Zero Hora sobre o assunto que explica tudo e ainda traz a opinião de convidados macanudos.

E tu, vivente, o que tu acha sobre isso?

Fonte: Blog Jair Kobe

Gineteada no Porco

Inscrições para Acampamento Farroupilha seguem até sexta-feira

Inscrições para Acampamento Farroupilha seguem até sexta-feira Evento ocorre de 7 a 20 de setembro no Parque Harmonia, na Capital

Tradicionalistas têm até sexta-feira para fazer a inscrição no acampamento Crédito: Mauro Schaefer / CP
Tradicionalistas têm até sexta-feira para manifestar interesse em ocupar os 380 piquetes do Acampamento Farroupilha de 2012, que será realizado em setembro em Porto Alegre. As inscrições gratuitas estão abertas exclusivamente para as instituições que participaram dos eventos anteriores. Até o momento, 114 pessoas já confirmaram presença.

Sílvio Jair Oliveira já garantiu a inscrição do piquete com a cabanha Arco Íris, de Viamão. “Já faz parte do nosso cronograma, sempre nos organizamos para esse evento”, diz ele, que já participa há 27 anos do encontro. De acordo com o secretário municipal adjunto da Cultura e coordenador do evento, Vinícius Brum, três hectares do Parque da Harmonia, em Porto Alegre, serão ocupados pelos tradicionalistas. O tema deste ano, “Nossas Riquezas”, foi definido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) em encontro realizado em Pelotas.

No final deste mês começam os trabalhos de infraestrutura no parque, como instalação das redes elétrica e hidráulica. “A procura deve se intensificar essa semana, mas já distribuímos 30% dos locais. Os trabalhos de montagem dos piquetes no Parque da Harmonia serão autorizados a partir do mês de agosto”, ressaltou.

As inscrições ocorrem no Galpão da Guarda do Parque da Harmonia, das 9h às 12h e das 13h30min às 17h30min. A expectativa é receber 1 milhão de visitantes durante as três semanas do evento, que ocorrerá de 7 a 20 de setembro no Parque da Harmonia, com shows artísticos e rodeios.

Fonte: Wagner Machado / Correio do Povo

Guri de Uruguaiana – Show completo

Pirisca e seu mergulho na obra de Rillo

“Mergulho no Rillo. Tá ai o título pra tua matéria”. Bom em brincar com as palavras, o próprio Pirisca Grecco sugere o título desse post, sobre seu novo CD “Vidro dos Olhos”, que trará parte da obra do grande poeta, compositor e escritor Apparício Silva Rillo. O convite para este que será o 6º CD do Pirisca, partiu da família do poeta e, para honrar o ilustre convite, Pirisca diz estar mergulhado na obra literária do homenageado, para o trabalho que será uma parceria com o músico Rodrigo Maia, nos arranjos. Como uma admiradora do trabalho do Pirisca e fã há muito tempo da obra de Rillo, fiquei feliz com essa notícia e com grande expectativa de ouvir esse CD: Rillo, na voz de Pirisca, com arranjos de Rodrigo Maia. Bah…

Pirisca já tinha homenageado o mestre Rillo em músicas como Água no Fogão (“Coisa mais linda ter um Silva Rillo, pra rodar seu canto por todo Brasil…” ) e também em Jeito Gaúcho, homenagem feita no Festival da Barranca, de São Borja (“O sentimento que falo, sei que não devo chorá-lo, devo ri-lo, devemos ri-lo”), e também regravou Rio de Infância: “Minha mãe foi lavadeira e o meu pai foi pescador, nosso pão de cada dia, era o rio caminhador …”

AVAL DA FAMÍLIA: Conversei uma das filhas de Rillo, Clarissa de Araújo Rillo, que falou sobre a escolha de Pirisca para o CD. “Gostamos muito do trabalho do Pirisca, meu marido e os filhos acompanham muito a carreira dele e sempre observam que ele é um representante dessa nova geração, um expoente até. Por todo seu estilo de cantar, de se posicionar, com um estilo muito especial de cantar os clássicos, mas de uma maneira mais renovada. Acreditamos que vai ficar muito interessante”, disse a filha do homenageado, animada com o projeto. Um dos netos de Rillo, Marco Antônio, anunciou o novo trabalho em seu facebook: “Aí pessoal é com grande prazer e emoção de quebrar o Vidro dos Olhos que compartilho do novo projeto do grande amigo e irmão Pirisca Grecco com Rodrigo Maia. Buenas Suerte e #tamojunto”

*HOMENAGENS: Este será o quarto CD de artistas gaúchos homenageando Rilllo. Um foi de poemas – o “Tributo a Apparicio Silva Rillo”, lançado em 1997, trazia poemas declamados por Patrocínio Vaz Ávila e Liliana Cardoso. Em 2007, Luiz Carlos Borges apresenta “Itinerário de Rosa”, onde musicou poemas de Rillo do livro homônimo. O trabalho foi indicado ao Prêmio Açorianos de música, em 2007 (e deu a Borges o troféu de melhor compositor). Segundo Clarissa, José Bicca, parceiro musical de Rillo, também gravou um disco com a obra do amigo.

*ENTREVISTA – Ai vai a entrevista que fiz com Pirisca sobre esse novo trabalho:

-Qual o nome do CD?
@piriscagrecco: Vidro dos Olhos, com o aval do Maestro Borges. (O nome é o mesmo da música de Rillo, em parceria com Luiz Carlos Borges)

-Como tivestes a ideia do CD?
@piriscagrecco: Foi um pedido da família do Rillo. Nossas famílias se encontraram no litoral quando fui cantar no Planeta, e num almoço eles me pediram pra gravar um CD com a obra do Rillo. Quando falo família me refiro a filha Clarissa, o genro Loguércio, e os guris Marco Antônio e Apparicinho.

-Já selecionastes o repertório?
@piriscagrecco: É um processo difícil. Estou mergulhado no Rillo. Tenho em minha memória muita coisa da Califórnia. Vou te dizer o que rolará. Da Califa: Roda Canto, Colorada, Era uma Vez e Ventania. Do Borges: Vidro dos Olhos, que é o nome do CD, e uma inédita. Estou estudando seu repertorio de sambas e marchas que é vasto, inclusive São Borja tem um festival com seu nome. Estou com carta branca para musicar o que quiser, mas estou tendo muuuuita cautela. Quero que brote, não quero abusar da condição de amigo da família

-O que mais já tens de definido para este trabalho?
@piriscagrecco: Vai rolar também poema que ele escreveu para os netos, que foi musicado pelo Apparicinho. Quero que o Cabo Déco declame o poema Despedida.
Também tenho a confirmação da participação do Jean Garfunnkel de SP. Estou escutando muitas outras coisas, com Elton e com Vinícius Brum.

-A família te passou acervo com músicas ou tu tinha todo este material?
@piriscagrecco: Estou muito em contato com a família. São Borja é caminho pra casa.

-Estás em processo de preparação então ou já entrastes em estúdio?
@piriscagrecco: Gravo na segunda semana de julho, no estúdio Luvi em Pelotas. Por enquanto, escolha de repertório e arranjos com Rodrigo Maia.

-Até então, o que conhecias da obra do Rillo, e o que de novo descobristes?
@piriscagrecco: Não conhecia a obra literária e sim 40 anos de Califórnias e Barrancas.

-Quando sai o CD?
@piriscagrecco: Não sei. Temos data para gravar. Após a matriz pronta vamos nos reunir e ativar as possibilidades. Mas quero muito me emancipar das grandes gravadoras. Quero um trabalho mais acessível à gurizada. Independente e cibernético!

-De que forma a obra dele teve ou tem alguma influência no teu trabalho?
@piriscagrecco: CALIFÓRNIA

-Tem alguma letra dele que tenha te marcado mais? Qual?
@piriscagrecco: Bah guria….muitas. Todas da Califa.

-Como defines a importância da obra do Rillo, pra a cultura gaúcha, como um todo?
@piriscagrecco: Uma obra indispensável nas classes de Literatura Brasileira. Que ainda está pra ser descoberta.

-Terá participações especiais no CD? Quais?
@piriscagrecco: Uma coisa importante que deves saber: este disco será realizado por mim e pelo amigo Rodrigo Maia. vamos gravar baixos, violões e percussão como raiz de tudo.

Claro que vamos ter um temperinho da flauta do Texo e, se possível o acordeon do Maestro Borges. Isso é um ponto de partida. Onde as possibilidades são infinitas. Há horas que eu e o Rodrigão estamos nos prometendo um disco juntos. Chegou a hora. Vem aí o CD "Vidro dos Olhos" onde GRECCO canta RILLO com arranjos de Rodrigo Maia.

*SOBRE APPARÍCIO SILVA RILLO: Rillo foi um dos maiores poetas gaúchos e brasileiros. Eles nasceu em 8 de agosto de 1931, e morreu em 23 de junho de 1995, mas ficou eternizado em sua competente e extensa obra: foram 23 livros de poesias, folclore e causos, além de mais de 300 músicas nativistas, em festivais como a Califórnia da Canção Nativa e no Festival da Barranca (do qual foi um dos criadores). O valor da obra de Rillo valeu-lhe uma cadeira na Academia Rio-Grandense de Letras, em 1981, além de vários títulos e prêmios, entre eles o Prêmio Ilha de Laytano, em 1980. Com sua sensibilidade e talento, abordava diversos assuntos em seus trabalhos, sempre com propriedade. Entre suas poesias mais conhecidas estão Canto Aos Avós, Herança, Lagoa, Mãe Velha, Romance do Arrendador, Romance do João da Gaita, Romance do Injustiçado, Memória para um Menino no Ano Dois Mil, Viagem Pela Memória do Trem, Poema Circular. Entre as músicas, Roda Canto, Rio de Infância, Vidro dos Olhos e Colorada.

*Para quem ainda não conhece a obra de Rillo, indico seus livros, bárbaros:

Poesia
Cantigas do tempo velho (Edit. Globo, 1959)
Viola de canto largo (Ed. Kunde, 1968)
São Borja aqui te canto (Edit. Gráfica A Notícia, 1970)
Caminhos de viramundo (Martins Livreiro Editor, 1979)
Pago vago (Martins Livreiro Editor, 1981)

Itinerário de rosa (Martins Livreiro Editor, 1983)
Doze mil rapaduras & outros poemas (Edit. Tchê, 1984)
Alma pampa (Martins Livreiro Editor, 1984)

Ficção
Viagem ao tempo do pai (contos, Martins Livreiro Editor, 1981)
Rapa de tacho (causos gauchescos, Ed. Tchê, 1982)
Rapa de tacho 2 (causos gauchescos, Ed. Tchê, 1983)
Rapa de tacho 3 (causos gauchescos, Ed. Tchê, 1984)

Dois mil dias depois (contos, Ed. Tchê, 1985)
O finado trançudo (novela, Ed. Tchê, 1985)

Folclore e História
Já se vieram! História, Tradição, Folclore e Atualidade da Cancha-Reta no RGS (Edição da Fundação Instituto Gaúcho de Tradições e Folclore, 1978)
São Borja em perguntas e respostas (Ed. Argraf, 1982)

Teatro
Domingo no bolicho (primeira montagem em 1957)
João-gaudério a João peão, vida e paixão (primeira montagem em 1970)

*Fotos: Pirisca (por Pirisca)/ Rillo – arquivo Os Angüeras

Creditos: Tânia Goulart – www.jornalnh.com.br/blogs/abc-do-gaucho

Paulinho Mixaria no senado parte do DVD Video Oficial

O causo da Bicicleta por Geraldinho Nogueira

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