#musicagauchanaeuropa

#MúsicaGaúchanaEuropa – Érlon Péricles & Guaiaca Trio

Amigos do Rio Grande, nossa aventura musical pelo velho continente segue firme. Fizemos algumas apresentações por CASCAIS, cidade turística situada ao lado de LISBOA, onde o SEU CAMARGO, um gaúcho de Pelotas, comanda um espaço chamado CANTINHO DO GAÚCHO. Esta figura foi quem possibilitou a nossa vinda a Portugal, organizando as apresentações junto a colônia brasileira de imigrantes que residem por aqui. Muito conhecido por estas bandas, SEU CAMARGO anda de bombacha e chapéu tapeado pelas ruas deste país, conduzindo com grande orgulho a bandeira da cultura, da musica e da culinária gaúcha. A CHURRASCADA DO SEU CAMARGO, que costuma fazer aos domingos, é famosa nos pagos lusitanos e atrai brasileiros e portugueses para o evento. Em nossas apresentações, tocamos nosso repertório e também canções conhecidas do cancioneiro gaúcho, lembranças musicais que muitas vezes levam o público às lágrimas. Além destas apresentações, a viajem nos possibilitou conhecer a fundo a capital deste belo país! Tivemos a alegria de conhecer alguns brasileiros que residem por aqui a mais tempo e também figuras portuguesas da boemia, amigos que nos levaram a apreciar recantos peculiares de LISBOA, seus guetos culturais onde se canta o FADO, seus bairros centenários com arquitetura impar e também a influencia da musica brasileira por aqui, tendo como exemplo disto a RODA DE CHORO DE LISBOA, evento feito semanalmente na CASA DE LAFÕES, unindo músicos de várias partes do mundo, tocando choro e outros temas instrumentais portugueses. Além dos shows, foram feitas visitas a rádios locais para a divulgação do trabalho que esta sendo feito.
No segundo momento deste intercâmbio cultural, vamos ter novos desafios e visitaremos o Sul deste País, o distrito (estado) de ALGARVE, cidade de ALBUFEIRA, onde iremos atuar em espaços culturais com público diferenciado, portugueses, ingleses e outros povos que circulam por aqui. Ai teremos oportunidade de mostrar nossa música a um público que desconhece totalmente nosso jeito de tocar, o que nos possibilita ampliar nossas fronteiras musicais. Paralelo a isto, ainda temos a possibilidade de visitar Sevilha, uma das principais cidades espanholas, onde iremos também buscar espaço para divulgar nossa música e cultura. A turnê #MúsicaGaúchanaEuropa, composta pelos músicos ÉRLON PÉRICLES, MIGUEL TEJERA, MARCELO FREITAS E GUILHERME GOULART segue na estrada ate dia 28 de outubro. Os registros estão sendo feitos nos blogs www.erlonpericles.blogspot.com e www.migueltejera.blogspot.com.

*Gadea Produções

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Tiago Abib e Amigos 1/11/11 Boteco Tchê

A VIGILIA SEGUNDO O JORNAL DO POVO

Vigília 2011 fica para Cachoeira do Sul

Canção “Alma de sanga. Sonho de rio” é a grande vencedora. Chiappetta é 3º e canção mais popular

Canção vencedora: “Alma de sanga. Sonho de rio” arrematou a Vigília de 2011

O músico cachoeirense Ezequiel Rosa foi o grande vencedor da 21ª Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul, promovida nestas sexta-feira e sábado, no CTG Os Gaudérios. Ezequiel venceu com o chamamé “Alma de sanga. Sonho de rio”, defendida no vocal pelo músico Jader Duarte, natural de Encruzilhada do Sul. A canção levou também o prêmio de melhor poesia.

Cachoeira do Sul levou também o prêmio de música mais popular, prêmio que ficou com o bicampeão da Vigília João Rafael Chiappetta. A milonga “Pra aqueles que têm raiz” foi a premiada, ganhando também o terceiro lugar na avaliação dos jurados do evento campeiro. O segundo colocado foi “Ao clarear do dia”, escrita por Walter Severo Velloso.

CAMPEIRO – Jean Kirchoff, de São Gabriel, levou o prêmio de melhor intérprete com a música de Chiappetta “Pra aqueles que têm raiz”. A música com melhor tema campeiro foi “Casqueador e ferrador”, de Hermes Regis Lopes, canção que fala de duas profissões do homem do campo.

PARA SABER MAIS
As campeãs da Vigília
1º lugar – “Alma de sanga. Sonho de rio”, letra de Ezequiel da Rosa.
> Intérprete Jader Duarte
2º lugar – “Ao clarear do dia”, letra de Walter Severo Velloso

> Intérprete Gustavo Teixeira
3º lugar – “Pra aqueles que têm raiz”, letra de João Rafael Chiappetta
> Intérprete Jean Kirchoff
Mais popular
> “Pra aqueles que têm raiz”, letra de João Rafael Teixeira Chiappetta

> Intérprete Jean Kirchoff
Melhor intérprete – Jean Kirchoff, com “Pra aqueles que têm raiz”
Melhor instrumentista – Luizinho Corrêa, com “Um tempo que não é meu”
Melhor tema campeiro – “Casqueador e ferrador”, letra de Hermes Regis Lopes

> Intérpretes Daniel Cavalheiro e Juliano Moreno
Melhor poesia – “Alma de sanga. Sonho de rio”, letra de Ezequiel da Rosa
> Intérprete Jader Duarte
Melhor melodia – “O tempo do verso”, letra de Mateus Neves da Fontoura

> Intérprete Raineri Spohr e autor da música Clênio Bibiano
Melhor conjunto instrumentista – “Meu destino domador”, letra de João Rafael Chiappetta
> Intérprete Adams Cezar
FONTE: coordenadora
da Vigília, Vera Prade

TRÊS PERGUNTAS PARA
Ezequiel da Rosa, campeão da Vigília
De onde veio a inspiração para compor esta canção vencedora do festival?
“Essas coisas a gente vai fazendo, é um tema mais reflexivo, mais introspectivo e fala de coisas do cotidiano, de ter momentos de alegria e de tristeza, mas seguir em frente, assim como o rio que segue”.

O que achou do nível das canções que competiram na Vigília?
“A Vigília no CTG Os Gaudérios não fez com que o festival perdesse qualidade, mesmo saindo com menos recursos. Acho que a comissão julgadora está de parabéns, pois teremos um ótimo CD com as músicas escolhidas”.

Acredita que com mais investimentos o evento pudesse ter mais prestígio?
“Não saberia dizer, mas acredito que o importante é que o festival saia, que não deixe de acontecer. Até estava falando disso com os outros músicos e companheiros, que independente do tamanho, o que importa é a música e não deixar a cultura morrer”.

A CAMPEÃ

ALMA DE SANGA… SONHO DE RIO

E foi bem assim que o tempo lhe viu a seguir os seus dias…
Às vezes com alma de sanga em outros, com ela vazia…
E viu que um homem calado entregue ao seu próprio estio

Ressente sua alma de sanga chorar por seus sonhos de rio…

Também foi assim que o campo cruzou seu olhar estendido
Mirando um sonho adiante com olhos de sonhos perdidos…
E olhando pra dentro de si querendo ser rio mais à frente

Chorar como nunca se viu porque se perdeu da vertente…

Um homem e mais nada foi visto. Nem sanga, nem sonhos, nem rio.
Apenas mais um entre tantos, perdido em seu próprio vazio!
Talvez um dia seus sonhos depois de muitas andanças

Encontrem um lugar pra ficar num tempo de nova esperança…
E a alma de sanga que leva sonhando em ser rio novamente
Não chore por algo perdido, mas cante a alegria presente!

E o tempo não mais vai lhe ver seguindo estes dias a esmo

Com o jeito de quem se procura sem nunca encontrar a si mesmo
O campo não mais vai cruzar dois olhos de alguém em estio
Tampouco uma sanga chorando por nunca chegar a ser rio…
Um homem com brilho nos olhos
Verá quem passar bem de perto
Com o peito repleto de sonhos
E os sonhos singrando libertos!

>> IMPORTANTE

O CTG Os Gaudérios recebeu um bom público nas duas noites do evento, não chegando a lotar as dependências da casa tradicionalista – mostrando que se mantém a tendência de esvaziamento dos festivais nativistas. Avaliações feitas por alguns músicos dão conta de que é preciso haver mais incentivo para a participação no evento. Com uma maior ajuda de custo, a tendência é de que nomes mais tarimbados da música gaúcha possam vir ao município para as próximas edições do evento.

Música mais popular

PRA AQUELES QUE TÊM RAIZ
Minha alma de poeta foi templada em campereadas,
E sem muita pretensão, eu desfraldo minha armada.
Pouca rima tem meu verso, de lirismo quase nada,
Mas porém nas entrelinhas, não me perco na volteada.

Escrevendo sobre a perna, com papel no tirador,
Fiz poema nas mateadas, pra cantar um cantador.
Pois o traço é de campo, desta escrita redomona,
Porque a lida é a vertente, que deságua da cambona.
Hoje a cor que tem meus olhos é da inspiração que vem,

Muito embora sendo negros, mostra a cor que o pasto tem,
Se em meus olhos se reflete o clarão da lamparina,
Trago o campo espelhado, verdejando na retina.
Meu poema é como o vento, que descamba o pé da serra,

A dizer pros hemisférios, que aqui o touro berra.
E pra algum metido a gringo, que a ele não agrade,
Eu lhe digo que escrevo, pra gaúchos de verdade.
Desta lida de poeta, nunca vou bolear a perna.
Porque a minha poesia, para poucos é eterna.

Trago a pátria entrelaçada, nestes versos que eu fiz,
Eu descrevo minha terra, pra aqueles que têm raiz.

Fonte: Jornal do Povo