Aqui estou em Casa

 Não existe momento melhor pra um índio botar às idéias em dia, do que a de uma tropeadita no lombo de um pingaço de respeito, daqueles que te dá prazer de andar enforquilhado. Quer ver então, se for numa semana farroupilha, com uma eguada por diante, quando tu larga a boca no rumo do povo e o pensamento se perde em meio ao bater de cascos.

Tropilha por diante

Tropilha por diante

 Os entendimentos de Barbosa Lessa sobre cultura e tradicionalismo me instigavam a pensar sobre as evoluções da cultura gaúcha num mundo globalizado, onde o limite entre o inovador e o estrangeirismo são tão próximos quanto o conservadorismo e a estagnação.

 Tenho muitos amigos que confundem esses conceitos, justamente por serem tão tênues, então passei a pensar como eu próprio costumo agir quanto a esse tema, já que a ação tem larga distância da verbalização.

 O suor já brotava na tábua do pescoço da minha baia encerada, que troteava faceira, atirando o freio, enquanto eu buscava uma conclusão. Segundo o que tinha lido de Lessa, a transferência de culturas se dá através da tradição, mas isso não quer dizer que toda a cultura seja tradicional.

 Vemos que atualmente o gaúcho gosta de cultuar o churrasco, o respeito pelo mais velho, o milho assado, a Polar, a marcação, a mateada na praça e o fato de ser hospitaleiro, pois em casa de gaúcho não tem tramela. Estes são exemplos de algumas características de um povo. Coisas e valores que os nossos filhos vão se criar cultuando e nesse ambiente vão estar seguros e encontrados em seu mundo. Aqui estou em casa!

 Alguém me diria então, – “porque a mateada na praça? Não estás tratando de cultura?”. Então recorro ao velho dilema do conservadorismo e da estagnação. Como poderia eu, ignorar a existência da mateada na praça como uma “nova” expressão de cultura de um povo, já que eu não posso manear o mundo para que ele não gire e não evolua?

 Entretanto, não se trata de tradição, pois o tradicionalismo é uma ação popular que visa o bem estar comum, com a finalidade de reforçar o núcleo da sua cultura. Sendo assim, somente caracterizam-se como tradicionalistas as ações e costumes mais fundamentados.

 Lembrando ainda das minhas leituras, reflito que por elas, aprendi que a todo o momento nossa cultura está sendo afrontada, e que se temos uma base cultural forte e alicerçada, temos condições de observar o que é benéfico e nos adaptarmos a isso, assim como utilizarmos o que não é de nosso agrado como exemplo do que não nos serve. Assim a cultura vai evoluindo, mas quando o contrário acontece, e não estamos preparados para essa observação, a confusão de identidade é inevitável.

 A baia sentia o tranco da estrada e já atirava o freio só de vez em quando. Tinha o corpo todo banhado em suor, mas o poder da bóia empurrava cada passo enquanto eu refletia agora sobre a importância dessa escolha e do poder da observação.

 É inegável que tudo avança, se modifica e se renova, mas é certo que os modismos e estrangeirismos que não estão fundamentados em um núcleo cultural forte, acabam perdendo interesse e, fragilizados, são esquecidos no tempo.

Conforme o tempo passa, percebemos que as nossas escolhas são feitas mais cedo e assim é importantíssimo entender a necessidade da atenção cultural na educação e formação da piazada, de forma que os nossos filhos cresçam tendo contato com a sua história. É essencial que tenham os exemplos dos pais, pois eles são suas referências de valores, hábitos, emoções ao qual Lessa chama de “Patrimônio Tradicional”.

 Seguindo a mesma linha de pensamento, reflito que o maior exemplo desses valores sempre foi o homem simples do campo, que é exatamente o símbolo maior da tradição gaúcha. A simplicidade, a educação e a honestidade irretocável da maioria absoluta das famílias campesinas são algumas das maiores referências de um povo. No entanto, vejo que atualmente essa admiração pelo campeiro sente a necessidade de ser reconhecida política e financeiramente pelo nosso estado, a fim de que retome o seu prestígio econômico de forma que o nosso gaúcho campeiro não seja extinto pela prática do êxodo rural, na busca das oportunidades nas cidades.

 O final de tarde chegava deixando alaranjado o céu da primeira vila da cidade, aonde eu chegava ao trote, com a idéia cheia de pensamentos e com os olhos mirando ao longe, enquanto as luzes das casas iam acendendo. Emanguerei a eguada e antes de desencilhar já me recebiam com um mate, um sorriso largo e um gole de pura que trouxeram do Rancho Alegre.

 Olhando aquele galpão tapadinho de gente, com a gurizada correndo na volta do assado e a cumplicidade das cozinheiras mais ao fundo, tive a certeza de que o mais difícil já foi feito. Temos uma linda história, um núcleo cultural consistente e uma referência bem definida que servem de base para as escolhas que sempre temos que fazer. A nossa missão é tão somente cultural, tradicionalista e regional. Devemos cobrar do nosso próprio povo e dos nossos governantes a valorização de tudo isso, pois o patrimônio cultural embasado nas três cores do pavilhão farroupilha é uma certeza de cada gaúcho.

 Com a licença dos amigos, vou desencilhar e tomar uns mates, pois aqui estou em casa.

 Leonel Furtado

Tropilha Emangueirada

Tropilha Emangueirada

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Trio Calderon em Gaspar / SC

Gauchada,
sábado foi dia de reencontrar os amigos de Santana do Livramento, na feijoada do vô Zequinha, em Gaspar/SC.
Por lá tivemos com os amigos, proseando de música, botando o papo em dia e conhecendo mais uma parceria de Santana, pois nunca é tarde.
Dessa festa sempre guardamos muitas alegrias… a amizade com toda a família que nos acolhe… mil grácias a todos.. não vou colocar nomes, pois corro o risco de esquecer alguém e, sendo assim, ser injusto com quem nos recebe tão bem.
Abaixo umas fotos do Tio Calderon em ação.
Assim que a Renata mandar mais fotos, a gente coloca aqui no site.
Mil grácias… abraço gurizada! Sucesso!!!
Leonel Furtado

Trio Calderon = Fabricio Ocaña / Marcelinho Nunes / Marcelo Holmos

Trio Calderon

Acústico na Pampeana

A Feijoada!!!

Trio Calderon

Trio Calderon

Show Leonel Gomez

Buenas amigos do Linha Campeira!

Deixo um relato de como foi esse final de semana regado a muita música campeira de primeira qualidade.

Cheguei sexta em Blumenau e fui direto no João onde os Goela Seca estavam ensaiando, tomando uma Eisenbahn e reunidos com os amigos. Por lá ficamos nos divertindo, tocando e fechamos o repertório das cinco músicas que escolhemos para abrir o show do Leonel Gomez no dia seguinte. Nisso o pessoal já começou a ligar da casa do Adrian dizendo que estavam comendo um churrasco de ovelha com o Leonel Gomez e os músicos que o acompanham.

Depois de uma janta maravilhosa largamos para o churrasco e já na chegada nos encontramos com o Leonel Gomez que tinha vindo buscar a gaita pra tocar um pouco. Melhor hora impossível. De chegada já conhecemos o Thiago Antunes, que veio fazer o violão pra eles, e fiquei de papo com o Juliano Gomes, que é conhecido há muitos anos, por ser de Livramento e amigo da família Furtado.

Em seguida roncou a botoneira e, logo em seguida, um momento especial, quando o Juliano pediu a música Final de Seca, que é do Jaime Caetano Braun e Leonel Gomez, mas ficou muito conhecida na voz do Luiz Marenco. Os amigos pediram para o Bragas cantar junto, então se fez um belo dueto entre Leonel Gomez e Luis de Bragas. Realmente foi especial.

Leonel Gomez e Thiago Antunes

Leonel Gomez e Thiago Antunes

Mais tarde ainda tivemos outra agradável surpresa, quando o Juliano Gomes pegou o violão e tocou umas músicas do CD Sensitivo. A sexta finalizou assim, dando as fichas de que o sábado seria ainda melhor.

Leonel Furtado, Thiago Antunes e Juliano Gomes

Leonel Furtado, Thiago Antunes e Juliano Gomes

Depois de um sono agradável e uma preguiça madrugueira, saltei no sábado já esperando as visitas do Pons e da Michele, que chegavam de Garopaba para a festa dos dois anos de Linha Campeira. De nada saiu um churrasco com lingüiça de ovelha e queijo, trazida de Livramento e a presença ilustre do meu primo e amigo, Kaco.

Assim se foi até às 15h30, quando voltamos para o ensaio dos Goela Seca, pois ainda tinha Eisenbhan. Fechamos as músicas, principalmente às aberturas e finais, depois largamos para o local do evento, pois queríamos chegar cedo.

Os Goela Seca já estavam no palco passando o som, quando uma bomba de água, acompanhada de granizo fez com que muita gente se assustasse e campeasse a volta das casas para fugir das pedras. Alguma inquietação até que virasse água de novo e logo já parou, como uma dessas chuvas de verão. A costela de chão contrastava com o gelo acumulado na beira do pé direito da casa, e ainda comentei com o Bragas: “É só pra deixar mais gaúcho!”.

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Granizo x Costelaço

Dali pra frente foi uma festa ao encontrar os amigos que vinham chegando. O pessoal da Furb, o pessoal de Rio Negrinho, o Tio Lelo, que veio de Lages e retribuiu a visita na Fazenda do Barreio, o parceiro Chico Paim e tanta gente que nem teria como nomear.

O churrasco esteve muito saboroso e dali fui um Upa e os Goela Seca estavam no palco para a abertura do show.

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Os Goela Seca

Os ensaios valeram à pena, pois as músicas saíram do nosso agrado, com o destaque da Milonga Abaixo de Mal Tempo, cantada pelos atuais locutores do Linha Campeia, Bragas e Junior, e aplaudida entusiasmadamente pelo público.

Os Goela Seca com Junior

Os Goela Seca com Junior

Era chegada à hora do show e a platéia, que esperava ansiosa, foi brindada de saída com o clássico La Campana, que foi tema do festival Um Canto Para Martin Fierro. Dali pra frente se passou mais de uma hora e meia de muitas músicas de qualidade, onde os presentes puderam acompanhar o repertório baseado no CD Pela Cordeona do Tempo, e mais alguns clássicos, como a própria Final Seca.

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Show Leonel Gomez

A cada música o público aplaudia entusiasmadamente, muitos arriscaram um bailezito marcado, enquanto outros preferiram apreciar o show, vendo e analisando cada detalhe da apresentação desses baitas músicos.

Logo depois que acabou o show, o pessoal queria tirar fotos e parabenizar os artistas, enquanto a confraternização entre os presentes também seguia firme, pois não demorou pra alguém puxar uma gaita e, mais uma vez, a festa seguiu comendo solta, com os amigos que estavam aproveitando a festa. Em seguida o Thiago Antunes pegou o violão do Bragas e, a pedidos, interpretou o clássico Km11, com acompanhamento dos Goela Seca.

Km 11 - Bragas e Junior, Leonel Furtado e Thiago Antunes

Km 11 - Bragas e Junior, Leonel Furtado e Thiago Antunes

Lá pelo meio da noite e, depois de uma entrevista para o Linha Campeira, os músicos foram embora, mas a festa seguiu com outra roda de pandeiro e violão, onde tinha até um sósia do Joca Martins, e o parceiro Chico Paim, que puxaram várias músicas entusiasmando o Bragas, que não parou de tocar, nem mesmo quando ficou sem a corda RÉ do violão.

Roda de Violão

Roda de Violão

Já era quase de manhã quando acabou essa baita festa e os mais resistentes também foram descansar, pois a festa foi grande e o descanso foi merecido. Parabéns aos organizadores, parabéns ao CPR Stammptich pela atitude, parabéns ao Linha Campeira pelos 2 anos e pelo programa número 100. Um marco nessa caminhada pela tradição.

Parabéns ao Leonel Gómez e aos músicos que o acompanham, pela qualidade e pela parceria. Parabéns ao povo de Blumenau pela festa e pela demonstração de apoio a essa cultura.

Um grande abraço!

Leonel Furtado

20 de Setembro 2009

   Buenas gauchada que acompanha o programa Linha Campeira, o 20 de setembro foi espetacular novamente. Por isso é tão esperado pelos gaúchos de sentimento.

  Chegamos em Livramento na sexta, perto do meio dia e liguei direto pra o Tio Juarez. Ele avisou que estava indo para o Galpão e, questionado por mim sobre com o que eu colaborava para o churrasco, falou apenas que eu levasse um trago, pois o resto tinha tudo lá. Passamos pela primeira vez no Mercado do Vaqueiro e compramos 10 Polares L para darmos início aos trabalhos.

  Chegamos no galpão antes de muita gente, pois vi que o povo aumentou a manhã de trabalho pra não ter que trabalhar a tarde. A cada carro que chegava era um reencontro com algumas pessoas muito queridas e os abraços e palavras carinhosas davam o clima de que a festa tinha começado da melhor forma.

   Na churrasqueira o Pirirai ia dando aula de assar carne e da cozinha a Dona Araci ajeitava um pucheiro com pirão, um arroz carreteiro, ou um feijão preto de rapar a panela. Tinha a turma do chimarrão, a turma da canha com laranja adocicada, a turma do vinho, do uísque, da cerveja e a da preparada com casca de bergamota. Também tinha os que provavam de tudo.

   Entre um remendo de uma corda e um trançar de tentos o Seu José Antônio ia recebendo o pessoal e atendendo os convidados, enquanto a criançada corria entre uma brincadeira e outra. O Tio Juarez sempre na lida, às vezes sumia e aparecia do nada com alguma novidade. Já a tia Rosa, também sempre funcionando, mas às vezes aparecia pedindo ajuda para algum disposto a fazer força e ajudar as cozinheiras. A sorte é que sempre sobrava essa mão de obra, pois todos trabalham, se ajudam “parelho” e com sorriso no rosto, na certeza de que os que correm por gosto não cansam.

   A sexta ainda reservava mais um momento especial de luxo, que foi o show do João Batista Ocaña no Piquete Movimento Nativo Upamaroty, onde somos como de casa, pois participamos do desfile com essa entidade. Lá fomos recebidos com grande alegria e já ao fechar às cortinas o Bragas foi chamado a fazer uma participação com o Batista, o que nos deixou ainda mais orgulhosos. Então, meta baile, pastel, Polar e sorriso no rosto. Que baita maneira de terminar essa sexta-feira.

Movimento Nativo Upamaroty - Bragas e Batista

  No sábado a manhã foi pra recuperar forças, saímos de casa tarde, quase 11h. Passamos na Casa das Alpargatas pra ajeitar umas compras e seguimos pra o Galpão quase às 12h. O pessoal também vinha apenas chegando e foi então que a cena se repetia. A cada carro que chegava era uma festa. Tinha carne no fogo, e música nos carros para distrair os que engraxavam as garras ou aparavam a crina de alguma égua.

Cebo nas Cordas - Bragas

    Já eram 12h30 quando resolvi fazer mais uma incursão ao Mercado do Vaqueiro para compramos mais 10 Polares L, e assim darmos reinício aos trabalhos. Nem bem destampamos a terceira e já chamaram para o almoço. Um carreteiro de charque e um feijão com pucheiro de porco que dava gosto. Pra acompanhar uma lingüiça parrilleira feita ali mesmo no galpão e um churrasco de novilha. Tive que tirar uma foto do Bragas, pois o prato dele ficou pequeno perto do tamanho do pucheiro. Imagine o tamanho do porco! Hahaha! Mas não foi por isso que ele se acanhou, acabou largando o prato e pealando o dito com as mãos.

 A boia

   Em seguida eu vi que tínhamos duas lidas agendadas para o mesmo horário. Uma era para tocarmos umas marcas, e outra era para encilhar a cavalhada e deixar tudo pronto para o desfile do dia seguinte. O Tio Juarez, muito atento, já lembrou: “Encilhem antes, porque depois vocês se atracam a tocar e não param mais”. Dito e feito: saltamos em direção às éguas.

     Enquanto a rasqueadera pegava de um lado a tosa pegava de outro, um encilhava e ajeitava os pelegos enquanto outro emalava um poncho e assim foram mais de duas horas, mescladas com trago pra uns, chimarrão pra outros e sobremesa pra outros. Encilha aqui, dá uma volta pra o outro, o que não anda cuida das crianças e assim se foi.

Encilha

     Já era de tardinha quando o gaiteiro desencapou a gaita. Foi logo depois que saiu o primeiro acorde do violão, com o pandeiro na percussão. Assim começou o enleio que só terminaria depois da janta, na beira da lareira, com a Polca de Relação. E te falo em versos que saíram. Até o Pirirai atropelou de trovador. Eram duas da manhã quando o pessoal resolveu se preservar pra o desfile da manhã seguinte. Mas os mais novos foram todos pra os bailes.

 A Música

     No dia 20 acordamos cedo e saímos pra o galpão às 7h30, conforme combinado. Encilhamos cedo e, depois de um café com bolacha campeira e lingüiça parrillera, largamos ao tranquito no rumo da cidade, enquanto ouvíamos no rádio o início do desfile. No caminho, muitas risadas, diversões, piadas, causo, recuerdos, uma passado no Mercado do Vaqueiro para encomendarmos mais 20 Polares L e até uma figueira plantada por um amigo, que há de dar muitos frutos para os próximos anos.

 

A macha pra o Desfile

A macha pra o Desfile

     O Movimento Nativo Upamoroty foi o vigésimo quarto a desfilar e a espera já ia se tornando cansativa quando ouvimos o Sapucaí do ponteiro, anunciando a entrada na avenida.

      Nesse momento a adrenalina sobe, o sorriso estampa o rosto e quando começa a subida da Rua Adradas na direção do Uruguay, o culto a tradição e a reverência dos espectadores à figura do campeiro se torna tão evidente, que é impossível conter a alegria que se reflete em orgulho pela representação da tradição.

     Em seguida encontramos os parentes que se juntavam ao povo batendo palmas, tirando fotos e filmando o desfile. Depois passamos pelos pontos mais característicos da principal rua da cidade enquanto a colorada escarceadeira troteava e relinchava largo, mais emocionada do que eu.

  Subimos toda a extensão da Andradas, acenando para amigos e para o público em geral, enquanto eu mostrava para o Bragas o Clube Caixeral, o Clube Comercial, e algumas casas de referência para o comércio local. Quando chegamos perto do antigo calçadão alertei: “Aqui a rua é estreita e o público está mais perto. Repara na quantidade de gente. Na outra quadra já é a linha e vamos entrar no Uruguay!”.

    Nessa altura é o ponto culminante do desfile e dava gosto de ver o a alegria de todos. Tanto dos que desfilam, quando do que prestigiam, aplaudem e tapam de grito. Ao sair do antigo calçadão vem o Parque Internacional, onde estão os palanques dos prefeitos de Livramento e Rivera, bem como a filmagem feita pelo Canal 10 do Uruguay.

    Ali se saca o sombreiro em cumprimento aos organizadores do evento. Se atravessa do Brasil pra o Uruguay e assim, troteia Rivera a dentro, pela conhecida Av. Sarandi, onde estão localizados todos os Free Shops, Bares, Hotéis e Parrilladas que movimentam a Fronteira do lado de lá.

Sarandi

    Não menos alegres, descemos toda a extensão da Sarandi, abanando ao publico Uruguaio que gosta muito da tradição e tem grande representatividade. Até o final da primeira praça seguimos ao trote enquanto ainda ouvíamos o locutor uruguaio saudando o Movimento Nativo Upamaroty.

Fronteira 

   Saímos do desfile com aquela sensação de euforia e a adrenalina ia baixando enquanto comentávamos de tudo o que tínhamos visto durante o trajeto. Entre os comentários de dever cumprido, de que baita desfile fizeram as éguas colorada e rosilha, contornamos a Praça Internacional e voltamos ate a concentração para encontramos os parceiros e descemos novamente em direção ao Galpão.

 Bragas em Frente a Zebra Free Shop

   A volta do desfile sempre é um momento sensacional. Ao trote, de boteco em boteco, o pessoal vai contado causos, falando de impressões, de histórias, de recuerdos e o tempo passa tão rápido, que os 7 km de troteada são feitos em duas horas, mas são comparadas a poucos minutos e, sendo assim, quando vimos já estávamos chegando no Mercado do Vaqueiro para compramos a última gelada da volta e nos certificarmos que as 20 Polares L tinham sido levadas pra o Galpão.

    Quando chegamos o pessoal nos esperava na porteira para tirar as últimas fotos e recepcionar os cavaleiros que representaram o Galpão no Desfile Farroupilha. É outro momento de alegria, onde tiramos às fotos oficiais e finalizamos essa jornada.

    Vem então a hora de desencilhar e confraternizar com os amigos que chegam pra comer uma carne, tomar uma cerveja e conversar um pouco. Para isso foram encomendados os 20L no Mercado do Vaqueiro. Foi excelente encontrar os guris de Livramento Dudu, Dedé e Flia. Estar com os primos e manos. Sempre essa confraternização é a coisa mais importante.

    Logo depois do assado e do descanso veio o fandango.

 

A gauchada seguia entretida. Muita música, muita festa e o baile comeram soltos até umas 22h30, quando saiu um pastel feito na banha de porco e com massa caseira, que ajeitou às lombrigas da peonada. Assim decidiram que era a hora de encerrar a Semana Farroupilha em grande estilo. A chaira era grande e o descanso foi merecido.

    A volta pra casa foi depois de mais umas compras em Rivera e das visitas prometidas. A chaira seguia grande, mas a sensação de orgulho pelo dever cumprido não tem preço.

Um abraço!

Leonel Furtado

Pirisca Grecco – Comparsa Elétrica

 Buenas amigos ouvintes do programa Linha Campeira.

 O tema que me traz há escrever essa semana é o recente lançamento do CD Comparsa Elétrica, de Pirisca Grecco y La Comparsa Elétrica. A banda que o acompanha.

 Há tempos esperávamos pelo lançamento de um novo trabalho desse talentoso músico uruguaianense e seus comparsas, pois seu último lançamento foi no ano de 2006, com o CD Bem de Bem.

 A discografia é a marca registrada da versatilidade do Pirisca e vice-versa. O primeiro CD foi gravado de forma independente em 2001, com o título “O que sou e o que pareço” e teve produção do próprio Pirisca.

 O segundo foi gravado em 2003, com produção de Erlon Péricles e participações de Ricardo Martins, Marcelinho Freitas, Tuni Brum, Sandro Cartier, Ranier Spohr, Érlon Péricles, Ângelo Franco, Jonei Wrasse, Fábio Maus, Paulinho Roveder. O Compasso Taipeiro marcou a maturidade musical do Pirisca e veio acompanhado de grandes sucessos com as músicas “O Tombo”, “Outra Campereada”, “De cima do arreio” e “Buraco no peito” que inclusive rendeu um vídeo clipe. Mais uma novidade inovadora no meio do nativismo.

 O trabalho seguinte veio já em 2004, se chamou Muchas Gracias e como característica teve a mescla de temas com versões ao vivo e em estúdio, onde o diferencial foi a seleção musical feita criteriosamente por Erlon Péricles e o pelo próprio Pirisca. Esse CD é muito bom, tem participações especialíssimas dos parceiros dos festivais e verdadeiros sucessos dignos do agradecimento Muchas Gracias. Outra característica.

 Em 2006 veio o lançamento do CD Bem de Bem, com excelente produção musical, arranjos igualmente fantásticos e uma linha aberta, com temas mais trabalhados e letras mais compreensíveis para o gaúcho urbano. Outras características marcantes foram à versão primorosa da música “Gaudêncio sete luas”, um clássico do tradicionalismo gaúcho, e o lado romântico do artista, que aflorou se tornando outro diferencial nesse mar de versatilidade.

 Por fim chegou o Comparsa Elétrica. A produção ficou por responsabilidade de Juca Moraes e traz a marca da história musical do artista.

 A qualidade da captação, gravação, mixagem e masterização está excelente e faz toda a diferença. Os arranjos e a qualidade musical da Comparsa Elétrica realmente estão à altura da homenagem no nome do CD. As ligações da seleção musical com os trabalhos anteriores começam pela regravação de músicas do independente “O que sou e o que pareço”, com novas versões e arranjos que deram um novo brilho a temas como “Jeito Gaúcho” e “Rédeas”.

 Músicas originarias de festivais também marcam presença com “Mandinga” e “Canta Maria”, que fizeram parte do Minuano da Canção de Santa Maria. Essa foi a maior característica do CD Muchas Gracias.

 Além da excelente seleção musical e da maturidade a muito alcançadas, num certo Compasso Taipeiro, outras características são as regravações de clássicos gaúchos e a linha aberta, com linguagem fácil para o gaúcho urbano, mantendo a proposta do “Bem de Bem”. Destaque para a valsinha “Rio Grande Tchê”, de Ayrton Pimentel e Edson Dutra, que conta com a participação especial do Quarteto Gauderiando.

 A leitura do novo CD como sendo um apanhado da história musical, da coerência dos fatos e atos é uma visão pessoal, uma interpretação musical, mas essa história não para por aqui.

 Numa breve visita ao site www.pirisca.com tive a oportunidade de comprovar parte da minha tese sobre história e coerência de fatos. No link do Blog é possível acompanhar a viagem que o Pirisca fez pela Europa, onde conta com o apoio do “anfitrião” Marcelinho Freitas, grande parceiro, baterista e percussionista desde os tempos do CD Compasso Taipeiro.

 No blog estão às histórias da viagem e algumas participações nos shows dos amigos músicos brasileiros, onde a versatilidade do artista está escancarada. Vejam como a regionalidade e a musicalidade desse som vai bem em qualquer lugar. Parafraseando os versos da música Trem da Fumaça, deste novo CD, que diz assim: “A fumaça do palheiro é um trem que me leva onde eu quiser. Buenos Aires, NY, Uruguaiana, ou outro pago qualquer. Na bagagem um pouquito de dinheiro, a bombacha e o violão. Pra quem canta o limite é a garganta e a bandeira o coração…”.

 Pirisca Grecco, regional, portanto universal. We are the word!!!

Vale a pena conferir.

 Um forte abraço a todos.

Leonel Furtado

Pirisca y la Comparsa Capa

Pirisca y la Comparsa Capa

Pirisca y la Comparsa Capa
Pirisca y la Comparsa Capa

 

Vejo o video clipe da música Buraco no Peito.

Linha Campeira – Segundo Aniversario

Bom dia gauchada que acompanha o programa Linha Campeira.

O final de semana foi de grande movimentação em função das festas referentes às comemorações da Semana Farroupilha e do aniversário de dois anos do programa, que acontece no próximo dia 2 de setembro, quarta-feira.

Sexta-feira passada nos reunimos na rádio FurbFM para fazer a gravação do programa que vai ao ar no dia 5 de setembro, quando comemoramos os dois anos de programa. Combinamos de comemorar sempre no primeiro domingo de setembro, independentemente do dia, já que o programa atualmente é dominical.

A gravação foi uma festa desde o início, pois cheguei em Blumenau e já encontrei com o Bragas e com o Jr. de saída, então fomos para a rádio e tive a oportunidade de rever alguns amigos. O Bragas tinha marcado de fazermos uma entrevista para a FurbTV e acredito que ficou muito boa. Estou muito curioso para ver como ficou. Segundo o que foi combinado, a entrevista será vinculada na quarta-feira, dia do aniversário do programa, no Jornal da 7h, que é o carro chefe da emissora.

Feita a gravação para a TV, passamos para o rádio, onde ficamos sempre mais a vontade. A gravação correu num clima de muita descontração, pois relembramos de historias e etapas do programa, desde 2007, então nos rendeu várias risadas, piadas, causos e claro, tudo num clima de festa.

Junior, Leonel e Bragas nos Estudio da FurbFM. Na mesa de som Gilson.

Junior, Leonel e Bragas no Estudio da FurbFM. Na mesa de som Gilson.

Feita a gravação, foi a hora de partirmos para o ensaio aberto que tínhamos marcado com os amigos Tio Hildo e Sandro. Por lá nos esperavam com um entrevero e chope gelado.

Em pé Tio Hildo e Sandro. Sentados Os Goela Seca Bragas, Leonel, Junior e João Jeronimo

Em pé Tio Hildo e Sandro. Sentados Os Goela Seca Bragas, Leonel, Junior e João Jeronimo

O objetivo do ensaio foi de fecharmos o repertório para a abertura do show do Leonel Gomez em Blumenau, pois caberá a nós essa incumbência. Ensaiamos as músicas em meio um ambiente descontraído, familiar e de muita amizade. Acabamos por tocar outras músicas, pois passamos a atender alguns pedidos.

Ficou marcada na minha retina a imagem que registrei abaixo, pois não me agüentei. Tão logo o João abriu a gaita e o Bragas soltou a voz do peito, as crianças pararam com a brincadeira e sentaram para ouvir os Goela Seca, provando mais uma vez que a Linha Campeira tem passado, presente e futuro.

Avaliem essa foto.

Bragas e a criançada

Bragas e a criançada

Uma notícia boa é que já estão vendidos quase todos os ingressos para o show do Leonel Gomez, com isso verificamos mais uma vez a força dessa linha musical e a força do tradicionalismo gaúcho.

Coza muito linda!!!

Um forte abraço a todos,

Leonel Furtado

Andanças e contatos

Buenas amigos que acompanham o programa Linha Campeira.

Essa semana foi de grande valia aqui por Florianópolis e também no final de semana, quando tive por Garopaba e Criciúma, por motivos pessoais.

Em Garopaba estive com os amigos Eduardo Pons e Rosalino, o Tevo, que são apoiadores do Linha Campeira. O Tevo entrou em contato com o novo dono de uma rádio da cidade para apresentar o Linha Campeira. Quem sabe a gente consiga um espaço para nós e para os gaúchos daqueles pagos. Tenho certeza que seria uma baita conquista para todos. Daqui ficamos a disposição e desde já agradecidos pela força desses locos por lá.

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Outra volteada – Por Leonel Furtado

 Na última sexta-feira, o último dia de julho deste corrido ano de 2009, tive a oportunidade de comparecer num grande encontro acontecido no Bar Estância de São Pedro, no coração da noite porto alegrense, nossa sempre fascinante capital gaúcha.

 Fui encontrar meus primos que vinham de Santana do Livramento e aproveitar para prestigiar o show do violonista e grande artista daquela fronteira, Luiz Cardoso.

 Por sermos conterrâneos, já tenho conhecimento da carreira musical do Luiz, mas ainda me impressiono de vê-lo tocar. Com um repertório vasto, tivemos a oportunidade de ouvir canções variadas e também alguns temas que estão no seu mais recente CD intitulado Pátria Gaúcha, o qual tive o prazer ganhar um, que já faz parte do acervo do Linha Campeira e, conseqüentemente, à disposição para a apreciação de todos nós pelas ondas da rádio.

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Seu Abrilino – Por Luis de Bragas

Seu Abrilino 

Seu Abrilino, estampa do Rio Grande. Negro velho com 83 anos na cacunda, mas ninguém diz. Disposto e faceiro como um piá.

            E quanta história nos contou esse home…das campereadas, das tropeadas, gineteadas e bailantas. Mesclando os causos com uns versos do Antônio Chimango, sempre terminava com uma risada de atirá o corpo pra trás…inda mais quando falava dos bailes, bah!…daí o tempo voltava nos olhos e na narração do Seu Abrilino.

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Pirisca Grecco y La Comparsa Elétrica

 Buenas amigos ouvintes do programa Linha Campeira.

 O tema que me traz há escrever essa semana é o recente lançamento do CD Comparsa Elétrica, de Pirisca Grecco y La Comparsa Elétrica. A banda que o acompanha.

 Há tempos esperávamos pelo lançamento de um novo trabalho desse talentoso músico uruguaianense e seus comparsas, pois seu último lançamento foi no ano de 2006, com o CD Bem de Bem.

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Musica e Campeirismo – Por Leonel Furtado

Buenas amigos,

  ontem  estive refletindo como melhorar ainda mais o conteúdo do nosso site, pois temos a intenção de que este seja um meio forte de comunicação entre nós, os peleadores do Linha Campeira, e vocês, nossos amigos e ouvintes.

  A partir de hoje, estarei escrevendo aqui algumas linhas sobre as nossas experiências, novidades, contatos e opiniões sobre as notícias do meio tradicionalista, campeiro, rural e gaúcho.

 Essa semana recebi uma mensagem do amigo e poeta Túlio Urach.

“Zez, Os Calavera lançaram um cd.

  Pesquisa pra ver.

  Como te mando um?”

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