Homenagem a La Negra – Por Cesar Oliveira

Perder um ente querido é com certeza uma das mais pungentes dores que acomete um ser humano. Ainda mais dolorosa a dor se perdermos quem nos gerou, sustentou e mostrou-nos como caminhar e por onde trilhar, mesmo depois de podermos andar sozinhos. Perder uma mãe é como perder um membro de nosso corpo para sempre, pois mesmo depois de cortado o cordão umbilical – que simbolicamente jamais e por nada será rompido – ficamos eternamente associados a este ser sublime denominado MÃE.

O Folclore perdeu sua mãe. Despediu-se da vida carnal “La Negra” Mercedes Sosa. E como uma lei do ciclo vital, estamos eternamente “órfãos de mãe”, que com a suavidade de sua voz entoou cânticos que retratavam sua procedência, sua casa, sua família, seus filhos. Mercedes Sosa foi uma mãe que não só nos mostrou o caminho a seguir mas abriu as portas de nossa casa, a América Latina, e com orgulho convidou o mundo e suas etnias a entrarem e conhecerem sua família, seus filhos, seu lar que, como mãe, defendia se necessário com a vida.

Gracias, madre de nuestro folklore, por iluminar nossos caminhos e deixar-nos seus rumos traçados para sempre, pois “mãe é uma só”, insubstituível, inigualável. Que a magia de tua voz encante os anjos do céu ao entoar una zamba ou una chacarera… e mostre mais uma vez com orgulho a tua procedência, a América do Sul, de onde és a filha mais sublime.

Lages, 4 de setembro de 2009

César Oliveira