Fotos do Desfile de 20 de Setembro – Livramento – Linha Campeira

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20 de Setembro 2009

setembro 23, 2009 às 11:21 am (Música e Camperismo)
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   Buenas gauchada que acompanha o programa Linha Campeira, o 20 de setembro foi espetacular novamente. Por isso é tão esperado pelos gaúchos de sentimento.

  Chegamos em Livramento na sexta, perto do meio dia e liguei direto pra o Tio Juarez. Ele avisou que estava indo para o Galpão e, questionado por mim sobre com o que eu colaborava para o churrasco, falou apenas que eu levasse um trago, pois o resto tinha tudo lá. Passamos pela primeira vez no Mercado do Vaqueiro e compramos 10 Polares L para darmos início aos trabalhos.

  Chegamos no galpão antes de muita gente, pois vi que o povo aumentou a manhã de trabalho pra não ter que trabalhar a tarde. A cada carro que chegava era um reencontro com algumas pessoas muito queridas e os abraços e palavras carinhosas davam o clima de que a festa tinha começado da melhor forma.

   Na churrasqueira o Pirirai ia dando aula de assar carne e da cozinha a Dona Araci ajeitava um pucheiro com pirão, um arroz carreteiro, ou um feijão preto de rapar a panela. Tinha a turma do chimarrão, a turma da canha com laranja adocicada, a turma do vinho, do uísque, da cerveja e a da preparada com casca de bergamota. Também tinha os que provavam de tudo.

   Entre um remendo de uma corda e um trançar de tentos o Seu José Antônio ia recebendo o pessoal e atendendo os convidados, enquanto a criançada corria entre uma brincadeira e outra. O Tio Juarez sempre na lida, às vezes sumia e aparecia do nada com alguma novidade. Já a tia Rosa, também sempre funcionando, mas às vezes aparecia pedindo ajuda para algum disposto a fazer força e ajudar as cozinheiras. A sorte é que sempre sobrava essa mão de obra, pois todos trabalham, se ajudam “parelho” e com sorriso no rosto, na certeza de que os que correm por gosto não cansam.

   A sexta ainda reservava mais um momento especial de luxo, que foi o show do João Batista Ocaña no Piquete Movimento Nativo Upamaroty, onde somos como de casa, pois participamos do desfile com essa entidade. Lá fomos recebidos com grande alegria e já ao fechar às cortinas o Bragas foi chamado a fazer uma participação com o Batista, o que nos deixou ainda mais orgulhosos. Então, meta baile, pastel, Polar e sorriso no rosto. Que baita maneira de terminar essa sexta-feira.

Movimento Nativo Upamaroty - Bragas e Batista

  No sábado a manhã foi pra recuperar forças, saímos de casa tarde, quase 11h. Passamos na Casa das Alpargatas pra ajeitar umas compras e seguimos pra o Galpão quase às 12h. O pessoal também vinha apenas chegando e foi então que a cena se repetia. A cada carro que chegava era uma festa. Tinha carne no fogo, e música nos carros para distrair os que engraxavam as garras ou aparavam a crina de alguma égua.

Cebo nas Cordas - Bragas

    Já eram 12h30 quando resolvi fazer mais uma incursão ao Mercado do Vaqueiro para compramos mais 10 Polares L, e assim darmos reinício aos trabalhos. Nem bem destampamos a terceira e já chamaram para o almoço. Um carreteiro de charque e um feijão com pucheiro de porco que dava gosto. Pra acompanhar uma lingüiça parrilleira feita ali mesmo no galpão e um churrasco de novilha. Tive que tirar uma foto do Bragas, pois o prato dele ficou pequeno perto do tamanho do pucheiro. Imagine o tamanho do porco! Hahaha! Mas não foi por isso que ele se acanhou, acabou largando o prato e pealando o dito com as mãos.

 A boia

   Em seguida eu vi que tínhamos duas lidas agendadas para o mesmo horário. Uma era para tocarmos umas marcas, e outra era para encilhar a cavalhada e deixar tudo pronto para o desfile do dia seguinte. O Tio Juarez, muito atento, já lembrou: “Encilhem antes, porque depois vocês se atracam a tocar e não param mais”. Dito e feito: saltamos em direção às éguas.

     Enquanto a rasqueadera pegava de um lado a tosa pegava de outro, um encilhava e ajeitava os pelegos enquanto outro emalava um poncho e assim foram mais de duas horas, mescladas com trago pra uns, chimarrão pra outros e sobremesa pra outros. Encilha aqui, dá uma volta pra o outro, o que não anda cuida das crianças e assim se foi.

Encilha

     Já era de tardinha quando o gaiteiro desencapou a gaita. Foi logo depois que saiu o primeiro acorde do violão, com o pandeiro na percussão. Assim começou o enleio que só terminaria depois da janta, na beira da lareira, com a Polca de Relação. E te falo em versos que saíram. Até o Pirirai atropelou de trovador. Eram duas da manhã quando o pessoal resolveu se preservar pra o desfile da manhã seguinte. Mas os mais novos foram todos pra os bailes.

 A Música

     No dia 20 acordamos cedo e saímos pra o galpão às 7h30, conforme combinado. Encilhamos cedo e, depois de um café com bolacha campeira e lingüiça parrillera, largamos ao tranquito no rumo da cidade, enquanto ouvíamos no rádio o início do desfile. No caminho, muitas risadas, diversões, piadas, causo, recuerdos, uma passado no Mercado do Vaqueiro para encomendarmos mais 20 Polares L e até uma figueira plantada por um amigo, que há de dar muitos frutos para os próximos anos.

 

A macha pra o Desfile

A macha pra o Desfile

     O Movimento Nativo Upamoroty foi o vigésimo quarto a desfilar e a espera já ia se tornando cansativa quando ouvimos o Sapucaí do ponteiro, anunciando a entrada na avenida.

      Nesse momento a adrenalina sobe, o sorriso estampa o rosto e quando começa a subida da Rua Adradas na direção do Uruguay, o culto a tradição e a reverência dos espectadores à figura do campeiro se torna tão evidente, que é impossível conter a alegria que se reflete em orgulho pela representação da tradição.

     Em seguida encontramos os parentes que se juntavam ao povo batendo palmas, tirando fotos e filmando o desfile. Depois passamos pelos pontos mais característicos da principal rua da cidade enquanto a colorada escarceadeira troteava e relinchava largo, mais emocionada do que eu.

  Subimos toda a extensão da Andradas, acenando para amigos e para o público em geral, enquanto eu mostrava para o Bragas o Clube Caixeral, o Clube Comercial, e algumas casas de referência para o comércio local. Quando chegamos perto do antigo calçadão alertei: “Aqui a rua é estreita e o público está mais perto. Repara na quantidade de gente. Na outra quadra já é a linha e vamos entrar no Uruguay!”.

    Nessa altura é o ponto culminante do desfile e dava gosto de ver o a alegria de todos. Tanto dos que desfilam, quando do que prestigiam, aplaudem e tapam de grito. Ao sair do antigo calçadão vem o Parque Internacional, onde estão os palanques dos prefeitos de Livramento e Rivera, bem como a filmagem feita pelo Canal 10 do Uruguay.

    Ali se saca o sombreiro em cumprimento aos organizadores do evento. Se atravessa do Brasil pra o Uruguay e assim, troteia Rivera a dentro, pela conhecida Av. Sarandi, onde estão localizados todos os Free Shops, Bares, Hotéis e Parrilladas que movimentam a Fronteira do lado de lá.

Sarandi

    Não menos alegres, descemos toda a extensão da Sarandi, abanando ao publico Uruguaio que gosta muito da tradição e tem grande representatividade. Até o final da primeira praça seguimos ao trote enquanto ainda ouvíamos o locutor uruguaio saudando o Movimento Nativo Upamaroty.

Fronteira 

   Saímos do desfile com aquela sensação de euforia e a adrenalina ia baixando enquanto comentávamos de tudo o que tínhamos visto durante o trajeto. Entre os comentários de dever cumprido, de que baita desfile fizeram as éguas colorada e rosilha, contornamos a Praça Internacional e voltamos ate a concentração para encontramos os parceiros e descemos novamente em direção ao Galpão.

 Bragas em Frente a Zebra Free Shop

   A volta do desfile sempre é um momento sensacional. Ao trote, de boteco em boteco, o pessoal vai contado causos, falando de impressões, de histórias, de recuerdos e o tempo passa tão rápido, que os 7 km de troteada são feitos em duas horas, mas são comparadas a poucos minutos e, sendo assim, quando vimos já estávamos chegando no Mercado do Vaqueiro para compramos a última gelada da volta e nos certificarmos que as 20 Polares L tinham sido levadas pra o Galpão.

    Quando chegamos o pessoal nos esperava na porteira para tirar as últimas fotos e recepcionar os cavaleiros que representaram o Galpão no Desfile Farroupilha. É outro momento de alegria, onde tiramos às fotos oficiais e finalizamos essa jornada.

    Vem então a hora de desencilhar e confraternizar com os amigos que chegam pra comer uma carne, tomar uma cerveja e conversar um pouco. Para isso foram encomendados os 20L no Mercado do Vaqueiro. Foi excelente encontrar os guris de Livramento Dudu, Dedé e Flia. Estar com os primos e manos. Sempre essa confraternização é a coisa mais importante.

    Logo depois do assado e do descanso veio o fandango.

 

A gauchada seguia entretida. Muita música, muita festa e o baile comeram soltos até umas 22h30, quando saiu um pastel feito na banha de porco e com massa caseira, que ajeitou às lombrigas da peonada. Assim decidiram que era a hora de encerrar a Semana Farroupilha em grande estilo. A chaira era grande e o descanso foi merecido.

    A volta pra casa foi depois de mais umas compras em Rivera e das visitas prometidas. A chaira seguia grande, mas a sensação de orgulho pelo dever cumprido não tem preço.

Um abraço!

Leonel Furtado

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