Do Tempo – Jayme Caetano Braun

O tempo vai repontando o meu destino pagão
Vou tenteando o chimarrão, da madrugada clareando
Enquanto escuto estralando, o velho braseiro vivo
Nesse ritual primitivo, sempre esperando, esperando…

É a sina do tapejara. Nós somos herdeiros dela.
Bombear a barra amarela do dia quando se a clara.
Sentir que a mente dispara, nos rumos que o tempo traça.
Eu me tapo de fumaça e olho o tempo veterano

Entra ano e sai ano, ele fica a gente passa.
Quem viu o tempo passar? Há muita gente que pensa
Mas é grande a diferença, ele não sai do lugar.
A gente é que vive a andar como quem cumpre um ritual

É o destino do mortal. É o caminho dos mortais
Andar e andar, nada mais. Contra o tempo, sempre igual
Tempo é alguém que permanece, misterioso, impenetrável
Num outro plano imutável, que o destino desconhece

Por isso a gente envelhece, sem ver que envelheceu
Quando sente aconteceu, e depois de acontecido
fala de um tempo perdido que a rigor nunca foi seu.
Pensamento complicado, pra o índio que chimarreia

Bombeando na volta e meia do presente no passado
Depois, sigo ensimesmado mateando sempre na espera
O fim da estrada é a tapera. O não se sabe do eterno,
Mas a esperança do Inverno é a volta da prima-vera.

Jayme Caetano Braun

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Ouça o Linha Campeira 19 de julho de 2009

Amigos, ouçam o Linha Campeira dedicado a Jayme Caetano Braun…

Ouça o Linha Campeira 19 de julho de 2009
Abr,
LF

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